Existe uma conversa acontecendo sobre você agora. Você não está nela.
São os seus clientes, com o ChatGPT aberto de um lado e o gerenciador de anúncios do outro.
Um colou o último post que você entregou e pediu uma versão. Outro colou a legenda e pediu mais dez. Um terceiro perguntou por que o custo por lead subiu essa semana. E teve o que jogou o vídeo bruto lá dentro e mandou cortar pra Reels.
Nenhum deles está te sabotando. Estão todos testando, sozinhos, a mesma pergunta que apareceu esse ano e que ninguém tem coragem de fazer em voz alta:
“Eu preciso mesmo de alguém pra isso?”
E não importa qual é a sua parte nessa história.
Se você é social media, ele já montou o calendário do mês sozinho, num domingo à noite.
Se você é gestor de tráfego, ele já colou o print do gerenciador e perguntou o que pausar.
Se você edita vídeo, ele já subiu o bruto e pediu os cortes com legenda queimada.
Se você escreve, ele já tinha dez versões prontas antes de você acordar.
Se você faz relatório, ele já perguntou pra IA o que aquele número quer dizer.
Ele não vai te falar sobre isso na reunião.
Vai falar na hora de renovar.
E o detalhe que dói é que o resultado dele não é bom. A copy é morna, o corte do vídeo está no lugar errado e ele não faz ideia de qual criativo pausar. É pior que o seu, em tudo.
Mas ele olha aquilo, olha o que te paga por mês, e faz a única conta que interessa pra ele:
“Pior de graça, ou melhor por dois mil?”
Você já sabe que essa conta está sendo feita em algum lugar. Talvez ainda não com você.
É assim que um profissional vira commodity. Não de um dia pro outro — na hora em que aparece uma versão aceitável do trabalho dele custando perto de zero.
E repara na parte que quase ninguém comenta: ele fez tudo isso sozinho. Sem agência, sem designer, sem editor, sem gestor de tráfego. Mal e porcamente, mas sozinho.
Guarda essa palavra. Ela volta no fim desta página, do seu lado da mesa.
Só que tem uma parte que ele não consegue fazer
Não importa quantos prompts ele aprenda.
E não é a parte técnica. Não é prompt, não é ferramenta, não é agente, não é automação.
É a parte que exige alguém de fora, com método, perguntando o que ninguém lá dentro nunca perguntou — e escrevendo a resposta num lugar que a IA consiga ler.
Nos Estados Unidos essa parte já tem nome, certificação e faixa salarial publicada.
No Brasil ainda não tem nome.
Quem está falando
Hélio Costa Jr.Sócio-diretor da Artemis. Publicitário de formação e copywriter. Foi head de marketing e primeiro membro da equipe do Viver de IA, antes de IA para negócios virar assunto.
Operações que passaram por aqui
Meu nome é Hélio Costa Jr., sou publicitário de formação, e durante a maior parte da minha carreira o meu instrumento de trabalho foi o Google Docs.
Não é jeito de falar. Era isso mesmo: documento em branco, cursor piscando, prazo.
E eu entrei nisso antes de virar assunto
Estive dentro do que hoje se chama Viver de IA quando o nome ainda não existia. Head de marketing e primeiro membro da equipe.
Não tinha curso de IA em cada esquina. Não tinha influenciador de prompt. Não tinha “agente” em todo lugar. O mercado ainda tratava IA generativa como curiosidade — não como infraestrutura.
Era um punhado de gente tentando entender o que aquilo ia virar. E eu estava na primeira fila, sendo a pessoa menos técnica da sala.
Foi de lá que eu vi o que ninguém estava dizendo em voz alta: todo mundo estudando prompt, todo mundo comprando ferramenta, e quase ninguém conseguindo transformar aquilo em trabalho entregue pra cliente.
E teve um caminho que eu não segui de propósito
Quando a onda de automação chegou — n8n, Make, agente pra tudo — eu olhei aquilo e não entrei. Nunca assinei nenhuma das duas.
Não foi preguiça. Foi conta. Naquele terreno eu nunca ia ter vantagem: tem gente que programa desde os quinze anos e monta um fluxo daqueles dormindo. Entrar ali era escolher a única briga que eu perderia.
E durante um bom tempo pareceu que eu tinha escolhido errado
Todo mundo em volta montando fluxo, postando print de automação, falando uma língua que eu não falava.
Eu, publicitário, olhando aquilo e me sentindo pra trás. Não é confortável ver o mercado inteiro correr numa direção e escolher ficar parado.
Mas eu sabia exatamente o que estava esperando
E não era “a IA vai melhorar”, que qualquer um chutava.
Era uma coisa específica: eu sabia que uma hora a IA ia se conectar direto no meu computador e executar tarefa — abrir arquivo, rodar coisa, mexer nas ferramentas que eu já usava todo dia. E que no dia em que isso acontecesse, montar fluxo dentro da plataforma dos outros ia virar detalhe.
Esse dia chegou. Chama Claude Code.
E eu não descobri isso num vídeo de guru. Vi acontecendo dentro das empresas de que a Artemis faz parte — operação de verdade, gente de verdade, resultado que aparece em planilha no fim do mês.
A vantagem não estava onde os técnicos estavam.
O que estava faltando
O problema nunca tinha sido o prompt. A IA não sabia nada sobre o negócio do cliente — como aquela empresa decide preço, quem ela não atende, o que já foi testado e não funcionou, por que o fundador recusa determinado tipo de campanha.
Nada disso estava escrito em lugar nenhum. Estava na cabeça de três pessoas e em quatorze planilhas.
E eu, o cara menos técnico da sala, percebi o que os técnicos não tinham percebido: aquilo não era problema de engenharia. Era problema de escrita.
Que por acaso é a única coisa que eu sei fazer desde sempre.
Hoje
Saí de lá pra montar o passo seguinte: a Artemis, um ecossistema de empresas de tecnologia onde eu sou sócio-diretor.
E lá dentro eu não ensino isso — eu opero. A nossa operação de marketing inteira roda em cima do que você acabou de ler. A gente come da própria comida que fabrica.
Continuo não sabendo programar.
Isso não é teoria. É a agenda.
Uma amostra das conversas das últimas semanas — clientes e alunos com operação rodando nesse sistema.
gravações reais · nomes e empresas com autorização
E foi por isso que eu escrevi este livro.